Thanks to the Macrocefalia Musical team for their nice review:

Mondo Drag 600

Existem muitas histórias de superação por aí que viraram filmes, mas é impressionante perceber que também temos muitos relatos relevantes que são ignoradas pela mídia, sendo que a música também acaba sofrendo com esse ligeiro bullying sonoro. Possuímos milhares de bandas que mereciam um espaço na tela grande, diversos grupos com experiências inacreditáveis, inúmeras trocas de membros, overdoses, discos fantásticos… O Rock ‘N’ Roll é um celeiro de épicos acontecimentos.

E como sempre gostei de pensar no futuro, essa semana estava imaginando como seria se pudesse escolher uma banda para virar objeto de estudo para um respectivo longa. Confesso que a escolha demorou um pouco para ser mensurada, meu raciocínio foi efetuado com base em sons atuais e, o mais importante: Se determinado conjunto possui ou não, o brilho e a vivência de estrada necessárias para poder brilhar em dezenas de polegadas.

E depois de considerar um caminhão de grandes enterprises sonoras que surgiram recentemente, resolvi optar por um combo que além de ser ótimo, está completamente atualizado perante os modelos requisitados para minhas escolha. Fiz questão de eleger o Mondo Grag para a empreitada e o fiz justamente por que o novo trabalho da banda, o segundo e auto intitulado CD de estúdio, nos mostra como a qualidade de som nem sempre faz verão, é necessário muito mais esforço do que parece para manter uma line up, por que de resto o ácido, o Hard e o Prog sempre acompanham essa jukebox digna de Austin Powers.

Line Up:
John Gamino (teclado/vocal)
Nolan Girard (guitarra/sintetizadores)
Jake Sheley (guitarra)
Ventura Garcia (bateria)
Andrew O’Neil (baixo)

Track List:
”Zephyr”
”Crystal Visions Open Eyes”
”The Dawn”
”Plumajilla”
”Shifting Sands”
”Pillars Of The Sky”
”Snakeskin”

Foram cinco anos de stand by depois que o Mondo Drag brindou o mundo com o excelente debutante ”New Rituals”. Depois disso surgiram críticas muito positivas e muito espaço foi aberto para que essa cozinha tivesse mais desenvolvimento com um eventual segundo disco, mas não foi bem assim que coisa foi se desenrolando, foram tantos problemas que além da história ser digna de um filme, o tempo de espera foi maior que um ciclo olímpico!

Depois de deixar muitos ouvintes fanáticos incrédulos com a mistura de puro e bruto néctar de Psych-Hard-Prog, o Mondo Drag (um híbrido de Traffic com um Uncle Acid & The Deadbeats menos demoníaco), passou por uma período de reformulação que começa logo após o lançamento do tão comentado disco de estréia.

O Radio Moscow começou a ficar grande (com toda justiça), na mesma época que o disco do Mondo Drag saiu. No ano seguinte Cory Berry e Zach Anderson saíram do Radio Moscow (grupo que era do mesmo selo que o Drag), e se juntaram ao vocalista e tecladista John Gamino, que fechava o pacote com os guitarristas Nolan Girard e Jake Sheley. Mas enquanto a química se intensificava e a criatividade começava a brotar igual maconheiro em Coffee Shop holandês, a dupla Berry-Anderson estava focada no Mondo Drag, só que também tinha outro projeto engatilhado.

O duo estava na seção rítmica do quinteto de Iowa, mas enquanto o trio raiz estava 100% focado, os outsiders estavam vendo casa na Suécia para formar o Blues Pills. E aí é que a trama ganhou mais requintes problemáticos… Como uma banda sem baixo e bateria poderia ir para frente? Não ia, ainda mais nos modelos pré Socráticos que foram estabelecidos por estes senhores.

E aí depois que os caras fizeram uma conta na Catho dois currículuns se sobressaíram, o do baixista Ventura Garcia e do baterista Andrew O’Neil. Os nomes que finalmente encerraram os problemas e colocaram algum tipo de juízo, para que o fluxo criativo dessa pesadíssima alquimia de insanidade pudesse seguir e finalmente encerrar mais um ciclo, com um disco mais uma vez retumbantemente excelente e que consegue ser melhor que o anterior.
O tempo é curto, infelizmente temos 35 minutos de som, mas o que o disco tem de curto ele tem de intenso, e o mais interessante da cronologia dos temas é notar como as coisas mudam e fazem o que apenas a música de qualidade consegue: Manifestar novas sensações aos ouvintes e conduzí-los durante as rotas de peregrinação.

A abertura do disco com ”Zephyr” remete ao já citado Uncle Acid pelo clima Dark. Essa faixa já mostra o direcionamento vital da banda, a tecladeira de Gamino e seus vocais meio 21st Century Schizoid Man”, que munidos de guitarras entrelaçadas vão solando e esfarelando o Hard-Psych. Já com ”Crystal Visions Open Eyes” o peso é elementar, mas antes um clima precisa ser estabelecido, e para isso a banda faz algo que se repete bastante durante o disco, as faixas começam de forma ascendente com vários texturas de aquarela guitarrística.

As vezes o baixão chega distorcido, a batera surge sincopada e as guitarras só se cruzam nos rachas de solo, mas o elo que mantém a cozinha no eixo é o do senhor Gamino, existe um ponto que une todas as ideias e deixa o som uniforme. Sempre com essa característica de jam em pleno entrosamento, com Andrew O’Neil bem presente no som, Ventura Garcia seguindo todos de perto com uma batera bem na linha Capaldi, enquanto Jake Sheley e Nolan Girard trocam chapações na guitarra e ainda deixam a viagem sintetizada para uma ideia Hammond abrir alas com ares celestiais. ”The Dawn” senhoras e senhores.
Até essa faixa a energia foi mais Hard. Com ”Plumajilla”, o quinteto inaugura a parte Progressiva da viagem, sendo que até a metade da mesma faixa a energia era pura Hardeira. Com três minutos de ideias mirabolantes o som vai embora e fica numa pausa de três segundos, e ai senhores, tudo muda. Em vinil o lado Prog começa justamente quando se vira a bolacha, e a faixa que abre o lado ”B” é justamente essa, o ultimato do Mondo Drag foi claramente pensado, o lado ”A” chega com groove no apogeu do ácid rocker e atinge o ”B” completamente combalido de flashbacks, sendo que ”Plumajilla” merecia ser dividida em duas partes, dos 3 minutos para frente o instrumental faz o ouvinte revirar os olhos em busca de portais no céu estrelado.

”Shifting Sands” faz a mesma coisa e chega com requintes de crueldade pelo lado das guitarras mais uma vez. Tudo tem seu lugar nesse disco, logo, são muitos detalhes, mas o som do baixo e das guitarras parecem carros que passam nas avenidas lado a lado, indo e voltando. O som se afasta e retorna, parecem canais diferentes transmitindo a mesma coisa só que em sentidos opostos… Um efeito Dopler ascendentemente sonoro.

Premiando um disco que consegue ser tão completo que a mesma energia lunar que permeou a primeira metade de Plumajilla”, virou um tema só, com ”Pillars Of The Sky” e todas as pontadas ácidas de teclado e o esmero da bateria, do baixo e do timbre guia espiritual da guitarra… A única coisa que imagino quando escuto essa música é a capa do disco, os pilares do templo psicodélico que se abrem perante vossos corpos, quando ”Snakeskin” finaliza a jornada e ”Mondo Drag” vira mantra, aí é só pegar o paper e levar essa trip para o cinema e para ”dibaxo” da língua, claro.

(http://www.macrocefaliamusical.com/2015/02/mondo-drag-mondo-drag.html)

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